
Durval comemora seu gol. Foto: Diego Nigro/JC Imagem
Em sua edição de número 100, o Campeonato Pernambucano premiou seu
maior vencedor. Com uma nova vitória sobre o Náutico, desta vez por 1×0
na Arena Pernambuco, o Sport conquistou a competição pela 40ª vez em sua
história. O capitão Durval, ainda ainda não marcara um gol sequer desde
que retornou à Ilha, foi o autor do gol que ratificou o título. E
justamente em cima de sua maior vítima.
Antes do jogo começar o técnico Lisca avisou que o Náutico não seria
um time desesperado mas iria adiantar um pouco sua marcação. Dito e
feito. Sem querer correr mais que a bola, os jogadores alvirrubros
começavam a pressão um pouco além da linha central de campo e,
principalmente com os laterais adiantados para conter as descidas de
Patric e Renê.
O Sport, que veio sem Felipe Azevedo, mas com Ananias. Segundo o
treinador Eduardo Baptista, o baixinho tem mais posse de bola que Felipe
Azevedo e seria essa a característica que ele queria mais forte na
equipe. Mas, ao contrário de seu colega de profissão, o que ele
preconizou não aconteceu nos primeiros minutos. A posse de bola que
faltou sobrou em faltas. Antes dos 20 minutos, o time visitante já
cometera uma dezena delas. E bem distribuídas. Apenas Durval e Aílton
não cometeram infrações nesse intervalo de tempo.
Apesar do domínio territorial, o Náutico não conseguia verticalizar o
jogo. Tocava bem a bola até a intermediária, mas faltava acertar o
passe final. Zé Mário chegava. Marinho se movimentava tanto pelo lado
esquerdo quanto direito, mas Marcelinho, o centroavante, não recebia uma
bola redonda. Quando finalmente conseguiu articular uma jogada mais
rápida, o Sport levou perigo. Aos 21 ele recebeu de Renê e chutou forte.
Alessandro, mesmo bem colocado, deu rebote. Neto Baiano acompanhava e
tentou empurrar com o peito, mas foi fraco e dessa vez o goleiro timbu
segurou.

Durval ergue mais uma taça. Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
O dono da Arena deu o troco com juros aos 29. Jackson, passou por
Durval e entrou livre na área. Mas cometeu o pecado de fechar os olhos e
soltar uma bomba. Não viu que Magrão se atirava para o lado oposto. A
bomba explodiu no travessão e foi embora. O timbu ficou mais tempo no
campo ofensivo mas sem concluir com a qualidade necessária. Zé Mário
tentava de longa distância e as enfiadas pelo meio não encontravam o
alvo correto. Por sua vez, o leão quando retomava a bola não conseguia
acertar o passe para sequer iniciar os contra-ataques, principalmente
quando elas chegavam aos pés de Patric e Aílton.
Mesmo com bom volume de jogo, o Náutico voltou para o segundo tempo
com mais um armador. Marcos Vinícius entrou na vaga de Elicarlos. O jogo
só não foi um clone do início da primeira etapa porque o Sport foi
menos passivo. O time rubro-negro marcou mais perto, procurando
antecipar os movimentos do adversário. A partida ficou menos feia, pois a
bola correu mais. Mas a mudança do Náutico também contribuiu, pois com
Marcos Vinícius o timbu usou menos os lados do campo.
Com apenas dez minutos, Eduardo Baptista acionou Rithely e Danilo nos
lugares de Ewerton Páscoa e Wendel. O Sport ganhou em jogadas pelo lado
esquerdo, mas preferiu os chutes de longa distância às tabelas entre o
lateral dublê de atacante e Renê. Essa pressa em finalizar dos leoninos
terminou ajudando o adversário. O Náutico conseguia manter o jogo mais
tempo no campo defensivo do Sport mas ainda sem conseguir finalizar de
maneira mais contundente.

Isso só veio acontecer aos 22 minutos. Zé Mário foi lançado dentro da
área e ainda teve tempo de dominar. Magrão saiu do gol e defendeu com o
pé. A bola ainda insistiu em ficar na área rubro-negra mas sem que
ninguém chutasse. No bate-rebate, sobrou novamente para Magrão, desta
vez com bem menos dificuldade.
E quando o Náutico já mostrava a mesma superioridade do primeiro
tempo veio golpe fatal. E logo em dose dupla. Aos 32 minutos, Ananias
puxou o contra-ataque e foi derrubado por Leonardo Luís. Como ele
recebera amarelo logo no começo do jogo foi expulso. Na cobrança da
falta, Aílton mandou para a área e Durval, com um toque quase
imperceptível de cabeça, desviou de Alessandro para fazer 1×0.
Dois golpes duros que acabariam com o ânimo de qualquer time. Menos
do Náutico. Bravamente o timbu foi para cima. O Sport só esperava o
contra-ataque e parecia que assim levaria o jogo em banho-maria até o
fim. Mas essa folga durou apenas três minutos. Renê fez falta dura em
Jackson e também tinha amarelo. Foi advertido novamente, mas com a cor
vermelha.
Mesmo assim, o técnico rubro-negro tirou um meia, Aílton, para
acionar um atacante, Felipe Azevedo. Com mais espaço em campo, a mudança
de Baptista deu certo. Felipe Azevedo valorizou a posse de bola o mais
longe possível do campo do Náutico, que não teve mais força de marcar,
fazer a transição ofensiva e ainda concluir com qualidade.
Ficha do jogo:
Náutico: Alessandro; Jackson, Flávio, Leonardo e Rai (Leleu); Dê,
Elicarlos (Marcos Vinícius), Yuri e Zé Mário; Marinho e Marcelinho.
Técnico: Lisca.
Sport: Magrão, Patric, Durval, Ferron e Renê; Ewerton Páscoa
(Rithely), Rodrigo Mancha, Aílton e Wendel (Danilo); Neto Baiano e
Ananias.
Local: Arena Pernambuco. Árbitro: Leandro Vuaden. Assistentes:
Charles Rosa e Clóvis Amaral. Gols: Durval, aos 32 do segundo tempo.
Cartões amarelos: Jackson, Rodrigo Mancha, Renê, Aílton e Neto Baiano.
Expulsões: Leonardo Luís e Renê. Público: 30.061. Renda: R$ 809.950.